«Uma Frincha Na Janela», 26-XII-2003.

1 – O primeiro quarto da minha vida, que conheci e foi conhecido como quarto de mim, dava para um saguão. O Sol nascia nas traseiras do prédio desse quarto e bastante cedo passava por cima do dito saguão, iluminando-o vagamente. Quando eu acordava, sabia que era amanhã porque, no alto das portadas de madeira [...]

«Noronha da Costa: Luz Entre Tantas Trevas»,19-XII-2003.

1 – A 15 de Outubro de 1938, a Pirelli de Milão editou “fuori commercio”, nas oficinas do Instituto Italiano das Artes Gráficas de Bérgamo, um volume sobre Tiziano, com introduções em latim, italiano, português, alemão, inglês, espanhol e francês, precisamente por esta ordem.
De casa de meus pais, onde entrou em data que não sei [...]

«Saudades de Brendel», 7-XII-2003.

1 – Como tantos da minha geração, fui educado, senão a apoucar, a secundarizar Johannes Chrysostomos Wolfgang Gottlieb Mozart, que só aos 14 anos, em 1770, por ocasião da sua primeira viagem a Itália, passou a usar o nome de Wolfgang Amadeo Mozart. Amadeo é a tradução italiana de Gottlieb (“o amado de deuses” “o [...]

«Os Segredos de Orson Welles», 28-XI-2003.

1. Para a tal ilha deserta, onde só se pudesse levar os tais vinte filmes – ou mesmo os tais cinquenta -, eu nunca incluiria, na minha lista, um filme de Orson Welles. Como não levaria nenhum Eisenstein, para escolher cineasta de imensidão comparável. Num caso como no noutro, a minha admiração por esses realizadores [...]

«Leal Souvenir», 21-XI-2003.

1. Por que é que se volta repetidamente a certos lugares que, de viso próprio, nunca escolheríamos? Por que é que se malogram sucessivamente visitas a outros certos lugares, tanto e há tanto tempo desejadas? São duas perguntas sem resposta ou com a mesma resposta que não obtemos quando nos perguntamos o que nos leva [...]

«A Última Ceia», 14-XI-2003.

1 – No mundo latino, não há sacra imagem mais reproduzida e mais divulgada. Nessa divisão, normalmente situada ao fundo de longos e desabridos corredores, a que no século XIX e em grande parte do século XX, se chamou casa de jantar, a burguesia e a pequena-burguesia, mesmo quando maçónicas ou jacobinas, entronizaram, quase sempre, [...]

«Sophia: no Dia dos Teus Anos», 7-XI-2003.

Hoje, para mim, que escrevo nas primeiras horas de 6 de Novembro; ontem, para os que me estiverem a ler no dia em que este jornal sair; hoje ou ontem, hoje como ontem, Sophia de Mello Breyner faz anos.
Nunca tratei Sophia por tu. Ela também nunca me tratou por tu. Sempre nos tratámos por aquela [...]

«O Homem da Fé», 31-X-2003.

1-”A esperança espanta o próprio Deus”, disse Péguy. Claudel, pela voz de Joana d’Arc na fogueira, proclamou que ela era a mais forte das três virtudes teologais.
Da caridade, não foi preciso esperar pelos hinos dos poetas. O amor de dilecção (agapê) foi posto no cume da hierarquia dos carismas por São Paulo, na celebérrima passagem [...]

«Um Filme Falado: Uma Desarmante Complexidade», 17-X-2003.

1 – Quando, em 1957, Chaplin estreou o polémico “A King in New York”, Rossellini terá dito: “É o filme de um homem livre.”
Enquanto via “Um Filme Falado”, o filme de Manoel de Oliveira que hoje se estreia em Portugal, lembrei-me dessa reacção como a mais óbvia. Só um homem livre (coisa muito mais difícil [...]

«Adolf Hitler no Céu», 10-X-2003.

1. Já meia-noite com vagar soou. Se começo a escrever a minha crónica a estas horas, foi porque me deixei ficar a ver a SIC Notícias num “especial” sobre a libertação de Paulo Pedroso, notícia que abafou completamente o outro caso do dia: a nomeação de Teresa Patrício Gouveia como ministra dos Negócios Estrangeiros. Foram [...]

«Cinzas de Verão», 3-X-2003.

1 – 1 de Outubro. Para mim, os anos começam sempre a 1 de Outubro. 1 de Janeiro é só o menos estimulante dos dias da quadra do Natal, uma espécie de cinzento P.S. (vale para “post-scriptum”) do Dia do Menino Jesus.
Aos mais novos recordo que, nos meus tempos, era a 1 de Outubro que [...]

«As Almas do Outro Mundo», 5-IX-2003.

1 – Sophia de Mello Breyner Andresen contou-me um dia uma história fantástica, das mais fantásticas histórias dela.
Estava a entrar em casa, bastante noite. Quando ia acender a luz do patamar, sentiu-se agarrada por um braço. Lá conseguiu chegar ao interruptor e deu de caras com um homem de mau aspecto, que certamente nada tinha [...]

«O Orgasmo Vertical», 29-VIII-2003.

1 – Vou começar por nada. Aquele delicioso provérbio que diz “o nada fazê-lo em casa”, que pode ter tantos sentidos quantos os sentidos que lhe quisermos dar (de sentidos também vou hoje falar muito). Ou aquele espantosa expressão jurídica, já usada por David Mourão-Ferreira para título de um conto: “Aos costumes disse nada.” Costumes, [...]

«Elementos para a história do cinema português, do livro e da imprensa cinematográfica e do cineclubismo», 231-232-233, XI-1976.

«Cinema português, hoje: o filme etnográfico», 228, VIII-1968, p. 15.

«Trás-os-Montes», 226, VI-1976, p. 18.

«Adivinha quem vem jantar de Kramer», 131, IX-1968, p. 19.

«Acidente de Joseph Losey», 129, IX-1968, 20.

«Claude Lelouch», 128, VIII-1968, p. 16.

«O Segredo da Abelha 2», 132, XII-1968, p. 9.

«O Segredo da Abelha 1», 131, XI-1968, p. 11.

«Viva Maria de Louis Malle», 121, I-1968, p. 12.

«Sete balas para Selma de António Macedo», 125, V-1968, p. 11.

«O maior espião do mundo de Terence Young», 121, I-1968, p. 11.

«Epitáfio para amigos e inimigos de Jiri Sequens», 121, I-1968, p. 10.

«Ensaio de um crime de Buñuel», 121, I-1968, p. 13.

«Duas plateias para a morte de Sidney Lumet», 124, IV-1968, p. 14.

«A Cruz de Ferro de Jorge Brum do Canto», 125, V-1968, p. 12.

«O Charlatão de Jerry Lewis», 124, IV-1968, p. 15.

«Caminho para dois de Stanley Donen», 123, III-1968, p. 16.