«O fantasma apaixonado», 12-VI-2005.

1. Em 1979, organizei, na Gulbenkian, um ciclo sobre cinema americano dos anos 40. Desse, como doutros ciclos dos anos 70 e 80, a fada-madrinha foi uma das pessoas mais enigmáticas e fascinantes que jamais conheci. Não sei o nome dela e não sei de ninguém que o saiba. Dizia que se chamava e chamavam-na [...]

«Pressas e aflições», 5-VI-2005.

1. Conhecem as Varandas de Avô? Assim se chama a um miradouro, que não dista muito da Venda de Galizes da minha solitária adolescência e onde se enxerga uma das mais bonitas vistas sobre o Vale do Alva. Sant”Anna Dionísio, que ainda era professor no Pedro Nunes ao meu tempo de Venda de Galizes, diz, [...]

«A última sexta-feira», 27-V-2005.

1. De 27 de Maio de 1988 a 27 de Maio de 2005 (nestes dois anos, 27 de Maio calhou a uma sexta-feira), habituei-me ou habituaram-me a ler crónicas minhas nas páginas de um jornal. Primeiro, nos bons tempos de O Independente, que nasceu faz hoje 17 anos e talvez seja eu o único a [...]

«Os meus sete papas (II)», 20-V-2005.

1.Como alguns se lembrarão, estava perto do Taj Mahal quando, tarde e a más horas, soube da morte de João Paulo I, por tão pouco tempo meu quinto Papa. De lá segui para as Pirâmides e para o Egipto, mas não foi entre faraós que soube do Papa posto em vez do Papa morto. Já [...]

«Os meus sete papas (1)», 13-V-2005.

1. Agora que isto acalmou um bom bocado, quer em matéria de papas quer em matéria de vigílias, posso dar-me ao luxo de desfiar, nos meus romanizados rosários, contas dos papas da minha vida e de os relembrar um a um, entre arminhos e solidéus, sédias gestatórias ou detidas. Setenta anos, sete papas. Muitos anos? [...]

«Alfreda e os túneis», 6-V-2005.

1. “A Alfreda precisa de mim na cama dela.” Esta simples frase – em post scriptum justificativo para uma nova falta desta coluna a 29 de Abril – escandalizou muito boa gente, ao que parece. Dito isto, logo assento que é bom guardar o sentido das proporções. Boa gente, talvez fosse ou talvez seja. Muito [...]

«O grisú e os canibais (II)», 15-IV-2005.

1. A 1 de Abril, prometi eu que na “próxima sexta-feira” contaria mais histórias de Júlio Verne, passando dos grisús aos canibais (PÚBLICO, 1 de Abril de 2005). Promessas de 1 de Abril, dia das mentiras? Não eram, não, embora poucos me acreditem e ainda menos me creditem, o que, às vezes, dói o seu [...]

«O grisú e os canibais (I)», 1-IV-2005.

1.Por maior que seja o meu gosto por efemérides, juro à fé de quem sou que não me apanham a discutir os méritos ou deméritos relativos de Sartre e de Aron. Para esse peditório já dei e até julgo que generosamente. Voltar a ele, a pretexto de centenários, nem com luvas de amianto. Embora não [...]

«Encarnação Assumpta», 25-III-2005.

1. Isto de Páscoas mudou muito. Isto de igrejas, ainda mais. Falo por mim, evidentemente. Por quem haveria eu de falar? Quando eu andava de calções (vesti as primeiras calças compridas aos 13 anos e ainda houve quem achasse que eu parecia um marçano), o Aleluia cantava-se ao meio-dia de sábado, por isso mesmo chamado [...]

«O pai e o silêncio», 18-III-2005.

1. Houve um tempo, tempo de que me lembro muito bem, em que, dos dias para tudo quase todos os dias, só havia um dia especialmente assinalado. Esse era o Dia da Mãe, celebrado a 8 de Dezembro, na Festa da Imaculada Conceição de Maria. Dos pobres pais não se falava, embora eu duvide que [...]

«Morrer face ao Outono», 4-III-2005.

1. Esta estranha Primavera de 2005 vai-se infiltrando muito outonal. Em qualquer sentido da palavra, das nuvens e do vento. Olhem bem à volta e reparem nas caras das pessoas. Já atentaram bem no número de caras que as pessoas agora têm? O número de pessoas é grandessíssimo, eu sei, mas o número de caras [...]

«O pai e o silêncio», 18-III-2005.

1. Houve um tempo, tempo de que me lembro muito bem, em que, dos dias para tudo quase todos os dias, só havia um dia especialmente assinalado. Esse era o Dia da Mãe, celebrado a 8 de Dezembro, na Festa da Imaculada Conceição de Maria. Dos pobres pais não se falava, embora eu duvide que [...]

«Encarnação Assumpta», 25-III-2005.

1. Isto de Páscoas mudou muito. Isto de igrejas, ainda mais. Falo por mim, evidentemente. Por quem haveria eu de falar? Quando eu andava de calções (vesti as primeiras calças compridas aos 13 anos e ainda houve quem achasse que eu parecia um marçano), o Aleluia cantava-se ao meio-dia de sábado, por isso mesmo chamado [...]

«A solidão da memória», 25-II-2005.

1.Borges escreveu algures (cito de memória) que a memória que de memória cito pode ser uma espécie de vício. Por isso, achava que não nos devemos inclinar muito sobre ela. É como quem pega num círculo e o acaricia suavemente. Arrisca-se a torná-lo num círculo vicioso. “A acreditar na minha memória” é uma frase corriqueira, [...]

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